Movimento Consciência Negra de Rio Paranaíba é reconhecido como entidade de utilidade pública municipal

Foto: reprodução/Consciência Negra
Projeto aprovado pela Câmara reconhece trajetória do movimento, que atua desde 1999 na valorização da população negra e da cultura afro-brasileira.
O Movimento Consciência Negra de Rio Paranaíba foi reconhecido como entidade de utilidade pública municipal. A medida foi aprovada pela Câmara Municipal e formaliza a relevância social, cultural e histórica da organização no município.
A proposta está no Projeto de Lei nº 044/2026. O projeto foi aprovado em segunda discussão na reunião ordinária de terça-feira (8), com oito votos favoráveis. A proposta recebeu ainda parecer favorável das comissões da Câmara.
Segundo a justificativa do projeto, embora a entidade tenha sido formalizada juridicamente em janeiro de 2026, a atuação do movimento começou em 1999. Desde então, são desenvolvidas ações voltadas à cultura, educação, igualdade racial e preservação da memória da população negra.
Entre as atividades estão a Semana da Consciência Negra, ações educativas nas escolas, o Coral da Consciência Negra, caminhadas contra o racismo, participação em manifestações culturais e religiosas, produção audiovisual e atividades com comunidades tradicionais.
Alto do Querosene
Um dos principais focos do trabalho é o Alto do Querosene, comunidade formada por descendentes de pessoas negras libertas no período pós-abolição. O movimento atua na valorização da história e das manifestações culturais da comunidade e também na mobilização pelo reconhecimento do território como quilombo urbano.
Para o coordenador Gabriel Alexandre Rocha, a aprovação representa o reconhecimento de uma trajetória construída ao longo de décadas. “É o reconhecimento, por parte do município, de que esse trabalho possui relevância social, cultural e histórica para Rio Paranaíba.”
Preservação da memória
Entre os próximos objetivos do movimento está o registro de histórias e memórias da população negra do município. Segundo Gabriel, parte desse conhecimento ainda está concentrada na oralidade e nas lembranças de moradores mais antigos.
A proposta é ampliar o trabalho com as escolas, registrar relatos e aproximar as novas gerações da cultura afro-brasileira presente em Rio Paranaíba.
“O reconhecimento de utilidade pública não representa um ponto de chegada. Mas uma nova possibilidade de fortalecimento e também uma responsabilidade ainda maior. E além disso, amplia as possibilidades de parceria da entidade com o poder público e outras instituições para a realização de projetos culturais, educativos e de preservação da memória”, afirma o coordenador.
