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No mês da mulher, conheça o serviço do HC-UFTM em Uberaba que oferece prevenção e acompanhamento da gravidez na adolescência


Esta quinta-feira (31) é o último dia de março, mês em que se celebrou a mulher, e o g1 mostra que em Uberaba existem trabalhos de educação social e conscientização sobre o uso de métodos contraceptivos realizados pelo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC-UFTM) no Ambulatório Maria da Glória, além de acolhimento para adolescentes grávidas.

Em 2021, foram atendidas no local 128 gestantes menores de idade. Esse número representa 23,7% do total das que compareceram à unidade. Veja abaixo como é a assistência para este público em Uberaba e um panorama da gravidez na adolescência no Brasil.

Atividades de prevenção

Para evitar a gravidez na adolescência ou a reincidência dela, o Ambulatório Maria da Glória prescreve métodos contraceptivos. A ginecologista e obstetra, Priscila Thaís Silva Mantoani, ressaltou que a escolha do método é individualizada.

“Na consulta avaliamos a idade, gestações anteriores, perfil do corpo, do ciclo menstrual e doenças pré-existentes. No geral, preferimos anticoncepcionais reversíveis de longa duração porque não dependem da memória e da disciplina delas”, detalhou a profissional.

O médico Marcelo Meirelles completou que para a prevenção da gravidez na adolescência é preciso orientar sobre a sexualidade, a contracepção e as consequências que a jovem poderia ter numa eventual gravidez.

Além disso, ele ressaltou a importância de realizar um trabalho com as famílias de adolescentes que tiveram filhos. Inclusive, dos filhos de mães adolescentes, pois segundo o Meirelles, “existe uma tendência a engravidar mais cedo quando a mãe também foi uma gestante adolescente”.

Por trás da gravidez indesejada

Imagem de arquivo de adolescente estudando  — Foto: Edson Fogaça/Unesco

Imagem de arquivo de adolescente estudando — Foto: Edson Fogaça/Unesco

O assistente social Yuri Emmanuelle Silva Mazeto afirmou que há uma relação entre a gravidez precoce e a desigualdade social. Segundo ele, meninas em condições de vida mais favorecidas têm mais acesso a meios de comunicação e a tipos e meios de prevenção.

“A adolescente em uma condição socioeconômica melhor engravida menos, porque em seu núcleo familiar ela tem mais acesso a informações e mais diálogo com seus familiares”, analisou.

Ele reforçou que a gravidez indesejada tende a ser marcada por tristeza, dor e traumas. “Trabalhamos muito com gestantes abaixo de 14 anos. E em ocorrências policiais, por exemplo, acionamos o Conselho Tutelar quando se trata de estupro de vulnerável. Desde dezembro de 2021, atendemos 3 casos, e nos 2 primeiros meses deste ano, foram 12 adolescentes gestantes, com mais de 14 anos”, informou.

Para situações como as de estupro, o protocolo é:

  1. avaliar contexto socioeconômico da adolescente;
  2. identificar se há outros fatores de risco nos quais ela está inserida;
  3. acionar a rede de proteção e cuidado;
  4. encaminhar um relatório social.

Normalmente, os atendimentos ocorrem em conjunto com a psicologia, pois há uma tendência de o processo de violência e exclusão impactar a vida dessas jovens.

Para evitar esses casos, a psicóloga Andrezza Sisconeto Ferreira Dias defendeu que é preciso que a sociedade, as políticas públicas e a família trabalhem em conjunto com as adolescentes. “Numa situação assim, as famílias pobres são muito criticadas porque as meninas engravidaram, só que o acesso aos serviços, aos recursos, é muito limitado”, disse.

Ela ainda reforçou que uma gravidez que começa indesejada não necessariamente termina indesejada.

“O vínculo afetivo com a gestação vai mudando. Uma adolescente que não deseja a gestação, com o tempo pode vir a desejar, mas ela vai precisar estar inserida numa rede de apoio e de cuidados, de lugares e espaços que a escutem sem moralismo, e que ofereçam segurança e suporte afetivo e social”, finalizou.

Gravidez na adolescência no Brasil

Conforme a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), do total de bebês nascidos vivos no Brasil no ano 2000, 23,4% eram filhos de mães adolescentes. Ao longo da última década, a taxa caiu e chegou a 14,7% em 2019.

Filhos de mães adolescentes nascidos no Brasil (%)

Valor é referente ao total de nascimentos registrados no ano no país

Fonte: Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo)

Ainda assim, de acordo com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), a taxa de fecundidade adolescente no país continua acima da média mundial: a cada 1 mil brasileiras, entre 15 e 19 anos, 53 foram mães em 2020. A média mundial é de 41 a cada 1 mil.

Conforme o dado mais recente do Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (Sinasc), gerido pelo Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DataSUS), a cada dia ocorrem cerca de 1.150 nascimentos de filhos de adolescentes no Brasil.

Na avaliação da Febrasgo, a gravidez na adolescência está associada à evasão escolar, o que resulta na perpetuação da pobreza e nos impactos pessoais e sociais de longo prazo para essas gestantes.

Já a UNFPA relaciona como principais causas: o início precoce das relações sexuais, o baixo uso de contraceptivos, a violência sexual, o baixo acesso à educação sexual integral e relações de gênero desiguais.

Conforme a agência, entre meninas pobres, com baixa escolaridade, indígenas, afrodescendentes ou de áreas remotas e rurais existe uma incidência de gravidez indesejada 3 vezes maior que entre adolescentes com educação escolar regular e de zonas urbanas.

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Fonte: G1


31/03/2022 – Paranaíba e Máximus FM

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