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Pacientes continuam sem atendimento por falta de profissionais em Centro de Referência em Hanseníase em Uberlândia


A unidade é vinculada ao Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU) e os colaboradores do centro foram contratados pela antiga administradora do HC-UFU, a Fundação de Assistência, Estudo e Pesquisa de Uberlândia (Faepu). No entanto, a unidade não faz parte do contrato firmado com a nova administradora, a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) em 2018.

O espaço, que deveria ser porta de entrada de recuperação para pacientes com hanseniase está vázio, com equipamentos de fisioterapia desligados e cadeiras desocupadas. Na sala de psicologia, o cenáro também não é muito diferente. Sem profissionais e sem pacientes.

“A Decisão judicial par anão fechar o Credesh nos favorece muito, bem a questão desse serviço, que é um hospital de ensino, mas algumas coisas colocadas dentro dessa decisão, como o funcionamento pleno do Credesh e os profissionais que se mantém, isso não é bem assim. Estamos em falta de psicólogo, terapeuta, fisioterapeuta, terapeuta-ocupacional, de outros médicos que saíram do serviço e não teve reposição”, detalhou a médica coordenadora do centro, Isabela Goulart.

O motivo dessas paralisações é o fato de que a Ebserh e a UFU precisam fazer novas contratações. Segundo Isabela, a solução mais rápida seria a manutenção dos profissionais da universidade, até a resolução e contratação de profissionais pela Ebserh.

“[…] A UFU entrando com alguns profissionais, pois temos alguns profissionais aqui que são UFU e terão que ser Ebserh, pois isso que é um hospital universitário hoje regido pela Ebserh”, completou.

Pacientes do Credesh permanecem sem atendimento por falta de profissionais em Uberlândia

Pacientes do Credesh permanecem sem atendimento por falta de profissionais em Uberlândia

Em nota, a Ebserh informou que “não foi intimada sobre a decisão. Caso seja, vai dar os esclarecimentos e encaminhamentos necessários”. Já a UFU não respondeu até a última atualização desta matéria.

Problemas para os pacientes

Uma paciente de 18 anos, que não quis se identificar, realiza o tratamento contra a hanseniase há anos. Ela e a mãe vieram do interior de Goiás. E foi no Centro de Referência Nacional em Hanseniase de Uberlândia que elas conseguiram o sucesso no tratamento.

“Hoje mesmo vi aqui muitas pessoas, aqui, chegando aqui debilitados, e muito debilitados da doença que eu sei como é que é. Sofrendo com aquilo e eu sei que se a Credesh fechar essas pessoas infelizmente vão morrer, pois não vão ter um acompanhamento”, comentou.

Ela ainda detalhou que foi atendida em diversos locais, mas só na Credesh que conseguiu o tratamento certo. Para evitar o prejuízo aos mais de 6 mil pacientes que passam pelo centro por ano, a coordenação do Credseh espera uma solução definitiva para os problemas da instituição.

De acordo com a decisão do juiz federal José Humberto Ferreira, a Universidade Federal de Uberlândia e a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares devem se abster de promover qualquer ato tendente ao fechamento do Credesh ou que impeça que a prestação de serviços à população seja interrompido, até o julgamento definitivo da ação.

Em janeiro, o g1 mostrou que as demissões de funcionários poderiam paralisar o tratamento de pessoas com hanseníase no Credesh, em Uberlândia. A unidade é um dos 6 centros de referência nacional para a doença, sendo o único em Minas Gerais.

O centro é também é referência direta para 107 municípios do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba ao prestar assistência de média e alta complexidade em hanseníase, dermatologia sanitária e neuropatias periféricas. Nele funciona um Laboratório de Biotecnologia e Patologia Molecular, que realiza aproximadamente 14.000 exames por ano pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O contrato assinado entre a UFU e a Ebserh prevê na fase de transição prevista para ser concluída em junho de 2022, o desligamento de médicos, farmacêuticos, fisioterapeutas e outros funcionários do Centro de Referência Nacional de Atendimento em Hanseníase e Dermatologia Sanitária. Para tentar impedir que o atendimento aos pacientes seja interrompido, o procurador da República Cléber Eustáquio Neves protocolou ação civil pública.

“Acontece que, após a Ebserh ter assumido a gestão do Hospital de Clínicas da UFU, chegou ao conhecimento do MPF que os serviços prestados pelo Centro de Referência podem ser descontinuados, pois grande parte dos seus profissionais médicos, farmacêuticos, fisioterapeutas, entre outros, está prestes a ser desligada, não havendo previsão de contratação, pela empresa gestora, de novos profissionais”, disse Neves.

Citadas para se manifestarem, a UFU e a Ebserh negaram a intenção de fechamento do centro, assim como de desligar profissionais. Segundo ambas, a substituição dos profissionais foi causada pela mudança do regime de contratação, que deixou de ser feito pela Faepu, e passou ser firmado diretamente pela Ebserh.

No entanto, a universidade e a empresa confirmaram que o Credesh não está incluído no contrato firmado entre elas.

“Na verdade, o Credesh não teve quadro de pessoal dimensionado nem foi incluído no levantamento para cessão de bens móveis e imóveis pela gestão da Ebserh. Desse modo, a empresa vem se negando a assumir a responsabilidade pela gestão do Credesh, dizendo que cabe exclusivamente à universidade garantir os recursos orçamentários de custeio e a força de trabalho necessários ao funcionamento do Centro de Referência, o que obviamente deixa no limbo a continuidade dos serviços prestados à população”, concluiu o procurador da República.

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Fonte: G1


11/03/2022 – Paranaíba e Máximus FM

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